Sim,
atraquei numa ilha deserta.
Me sinto como um astronauta,
perdido em Marte.
Mas, diferente do personagem do filme,
não sinto vontade de sair daqui.
Estou preso —
não em grades,
mas em algo que me arrasta,
mar adentro...
ou melhor, universo afora.
Isso não é uma carta de despedida.
Pelo menos, espero que não.
Não.
Ainda não cheguei a esse ponto.
A vontade de me debater feito peixe
fisgado num anzol
ainda não chegou.
Ainda.
Essa crise existencial
sempre esteve por aqui,
oculta, silenciosa.
E, sinceramente,
era melhor quando eu não a conhecia.
Melhor quando não sabia o que sentia,
e preenchia o vazio com bobagens,
com atitudes idiotas.
Achava que era só uma fase,
que ia passar.
Hoje sei que não vai.
Sei que isso faz parte de mim.
E o pior:
me acostumei com ela.
Entende?
Eu sei que não vai passar.
Sei que não vai mudar.
E qualquer esforço
só fortalece o vínculo entre nós.
A solidão,
que antes era uma amiga,
hoje é uma visita indesejada.
É...
ela me fisgou.
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