domingo, 30 de março de 2025

Saída de emergência

A solidão, outrora refúgio, já não me embala com o mesmo silêncio.

Não há mais paz na ausência, apenas perguntas sem destinatário.


Por que estar só?

Onde repousar sem desabar?

O que esperar, quando a espera é vã?


Sou peça solta de um quebra-cabeça sem bordas,

engrenagem sem encaixe,

o estranho que se dissolve na multidão.


E, paradoxalmente, só na solidão encontro abrigo.

No escuro, cercado por muros invisíveis,

onde os olhares não pesam e o mundo não exige.


Resta aguardar—

quem sabe, em outro tempo, em outra versão de mim,

a resposta se revele.