domingo, 26 de outubro de 2025

Perda

O papel de Deus se finda ao nascermos.

A partir desse instante, o que prevalece é o acaso —

imprevisível, livre e inevitável.

Nem mesmo o divino pode controlá-lo.

Portanto, não te preocupes:

o que há de vir não depende de nós,

nem mesmo de Deus.

Aceite.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Guarda

Da janela

Eu vejo o céu,

vejo o sol,

o muro.


Mas sinto medo.

Medo de ir,

medo de ficar.


Angustiado,

respiro fundo,

sinto a brisa do vento

no rosto.


Mas sinto medo.

Não me sinto mais aqui,

mas não sei pra onde ir.


É 

eu sei.


Enquanto isso,

o tempo passa

e não volta.


Eu vejo o céu…

Vejo o vazio. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Nublado

Há dores que não gritam — apenas silenciam.

A traição é uma delas.

Chega mansa,

como quem sabe o caminho do peito,

e ali planta o frio.


Mas escuta:

nem toda ruptura é perda.

Às vezes é o destino abrindo a porta

para que escapes

de quem nunca te soube merecer.


Faz a tua parte.

Oferece o que tens de melhor —

não como moeda de troca,

mas como testemunho

de que ainda sabes amar

sem corromper o que há de puro em ti.


Confia, mesmo quando o mundo zomba.

Amar é risco —

e o risco é o preço do amor.


Se te traírem,

não devolvas o golpe.

Não te tornes o espelho

do que te feriu.

Perdoa — não por bondade,

mas por amor à tua própria paz.


Segue.

Respeita-te.

A dignidade é como linha e agulha:

costura o que o orgulho rasgou,

refaz o tecido da alma

e te veste novamente de inteireza.


Quem divide o corpo com outro

enquanto promete amor a ti,

já se perdeu —

e, ao perder-se, também te perdeu.

E não há mais o que buscar

onde já não existe espelho

para a verdade.


Não te vingues.

A vingança mata primeiro

quem a carrega no peito.


Sê leve.

Sê paz.

E lembra:

quem te traiu

 perdeu um amor —

mas tu...

tu te ganhaste de volta.

sábado, 4 de outubro de 2025

Integral

Os breves momentos de alegria

se tornaram peças de frustração.

Assim que botamos a cabeça no travesseiro,

o amanhã, caso chegue,

não trará nada de novo —

somente os mesmos fracassos

que já fazem parte de mim.

As mudanças repentinas de humor

são a forma de transparecer

as frustrações

do eu.

Aliás

O que me resta?

Então, respondo:

Aceitar.