sábado, 31 de janeiro de 2026

Dose

O copo meio cheio

Carrega, em silêncio, o vazio

do tempo,

que passa sem pedir licença

e some no piscar dos olhos.

Então,

Mesmo sabendo que o fim

É a única certeza,

E correto questionar:

Por que devemos aceitá-lo?

Se, no fundo,

Nunca estamos prontos para tal?

Dizem que somos

O resultado das nossas escolhas,

Mas, meus caros,

Não há escolha,

é assim para todos.

Aceite.

Isso não me consola.

Nem me conforta 

Só sei que 

A cada dia,

Ele se aproxima.

Disfarçado de rotina,

De risos,

De lágrimas.

Sinto medo.

Não do fim em si,

Mas de não ter vivido o bastante

Para entender

Que não controlo o caminho,

Que não escrevo o destino,

Que tudo acontece

Por culpa

Única e exclusiva

Do acaso.

É isso que nos define.

Somos obra do acaso.

E dele

Não podemos esperar nada.

Pois é o que somos.