No auge da minha terceira década, vislumbro a veracidade de
suas previsões,
No auge da minha terceira década, vislumbro a veracidade de
suas previsões,
As folhas caem ao sopro do vento.
Pessoas surgem e desvanecem, Semblantes alegres escondem os seus profundos tormentos internos.
As lágrimas, silenciadas, evitam macular a fachada fictícia de felicidade.
O declínio se insinua e a angústia cresce de forma inexorável.
Por que persistir, indago?
Nada mais detém sentido, não há razão para prosseguir nessa jornada desvanecida.
Recuso a prosseguir.
Notas já não ecoam como antes, os sons só me transportam à obscuridade.
O que resta é o silêncio, em sua penumbra, oferecendo-me a cura, Miragem!
A solidão, outrora amiga, tece meu único vínculo, a dor.
A agonia se aprofunda, o próprio aroma da morte se insinua.
Aproxima-se o instante de despedida; carece apenas coragem, um ato de ousadia!
Por quanto tempo ainda sustentarei tal padecimento?
Falta ar ao caminhar.
Visão turva do ser,
Propõe a incapacidade de enxergar,
A real direção.
Sede em mar aberto,
As chaves estão inalcançáveis.
Cansado de tentar entender,
Ao caminhar, o suor queima,
Escurece e não se pode ver.
Três estalos,
Cascalhos e poças de barro,
Com os pés sujos,
As marcas já não são vistas.
Agora, a esperança se desfez,
Sem tempo de esperar,
Outra hora possa me despedir,
Despido de alma,
Já não se pode suportar.
Questionar a existência é necessário quando se quer saber o porquê de existir.
Realmente há um Deus?
Por que o mal prevalece até nos dias ensolarados?
Não devemos esperar pela vida eterna, já que a morte é a única certeza.
Logo, questiono-me: qual é o sentido de estar vivo?