Não pertenço mais a você.
A inércia é o que me faz permanecer.
Partir tornou-se necessário.
Seguir outra direção,
buscando um reencontro.
Os dias já não são os mesmos.
Não há mais cor.
Desculpe,
mas, desta vez,
eu preciso ir.
Não pertenço mais a você.
A inércia é o que me faz permanecer.
Partir tornou-se necessário.
Seguir outra direção,
buscando um reencontro.
Os dias já não são os mesmos.
Não há mais cor.
Desculpe,
mas, desta vez,
eu preciso ir.
Eu gostaria de estar aí,
nos seus braços… mas já não é possível.
O passado não retorna.
E relembrá-lo me mata —
Como pequenas doses de ricina.
Sinto uma dor insuportável ao reviver aquilo que não posso mais ter.
Foi uma partida brusca, sem um adeus…
E, desde então, recolho meus cacos todos os dias.
Mas é impossível consertar o que já quebrou.
Olhar as fotos, sentir,
perceber que… é cruel.
Prefiro partir a continuar sentir.
Meus gritos não são ouvidos.
Minhas lágrimas não cessam.
E eu não consigo parar...
De pensar.
Aguardar o que não volta
E morrer aos poucos.
Querida Solidão,
Hoje, resolvi não ligar para você.
Você me pediu paz… e, sinceramente, até agora eu não consegui te dar isso. Talvez você tenha razão. Um tempo sozinho não faz mal a ninguém — mas o seu "um" me fez muito mal.
Eu entendo. Talvez doa mais em você… ou talvez não.
São tantas impossibilidades que fica difícil me expressar.
Tão fria,
Como uma sexta-feira de inverno.
Novamente,
Se faz de amiga.
Sombria e inerte,
Seduzente.
A solidão.
É vazia.
Consigo,
Traz
A desesperança e a dor.
Não há resposta.
Não há saída.
Outra vez,
À deriva.
Já é tarde.
Está escuro.
O breu, o frio,
Demonstram que
Não há ninguém.
Apenas o silêncio, o vazio,
O nada.
Eu me apaguei pensando em você,
talvez pela última vez...
desde a primeira
em que ouso lembrar.
Talvez você não veja,
não leia,
não guarde,
não se importe.
Mas sempre que meus olhos tocam o horizonte,
enxergam os seus
cravados nos meus —
mesmo ausentes.
A saudade,
velha assassina,
arde como veneno.
Ao menos alerta,
em silêncio,
que a dose que escolhi
pode me matar.