segunda-feira, 26 de maio de 2025

Meio-fio


Caminhei por uma rua sem saída,
onde a infância assobiava dos muros.

Vultos passaram,
ecoando seus laços defeituosos.

O vento trazia poeira e solidão.

Então,
deslizei no concreto,
como quem tenta esquecer em movimento.

Mas um corpo cruzou meu caminho.
Logo,
a raiva saiu antes do juízo.

O mundo, injusto como é,
respondeu com ameaça.

Corri pelos telhados do medo,
carregando o peso do erro.

Na mão, o fogo 
no peito, a solidão.

Encontrei o engano no fim do caminho.

Os risos revelaram
o que minha alma  sempre escondeu:
— O vazio.

Ele me olhou, fingindo não entender,
e eu... fugi.
Como covarde que sou.


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