segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Ecos

As memórias, emissárias da saudade, acariciam antes de ferir, como o silêncio da madrugada.

Amiga inicial, revela-se algoz, portadora da solidão, cruel e avassaladora; resta apenas a desesperança.

Questionar o existir torna-se necessário, mesmo que o destino nos negue.

Em desolação, permanecem as memórias, fragmentos de um passado que não ressurgirá.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Porta

No auge da minha terceira década, vislumbro a veracidade de suas previsões,

Suas palavras ressoam com a mais profunda convicção.

A felicidade, agora, é efêmera,

Assim, peregrino na estação da vida.

As Lágrimas que deslizam em meu rosto carregam consigo a gélida solidão.

Você estava certa, a vida é uma desilusão.

Lentamente, abandono-me, observando a esperança desvanecer-se ao vento.

A desesperança, tornou-se a minha única e constante companhia.

Sinto a cada batida do relógio, o fim.

A coragem, outrora sufocada, agora se ergue como uma sombra profunda e desoladora.

Suas previsões se cumpriram, não resta mais o que fazer.

O ciclo da vida que espelha sua sabedoria, tornou-se um triste desatino da realidade.

As luzes estão se apagando,

Aproxima-se, então,
O trágico desfecho desta jornada.

sábado, 12 de agosto de 2023

Folhas

As folhas caem ao sopro do vento.

 Pessoas surgem e desvanecem, Semblantes alegres escondem os seus profundos tormentos internos.

As lágrimas, silenciadas, evitam macular a fachada fictícia de felicidade. 

O declínio se insinua e a angústia cresce de forma inexorável. 

Por que persistir, indago? 

Nada mais detém sentido, não há razão para prosseguir nessa jornada desvanecida. 

Recuso a prosseguir.

Notas já não ecoam como antes, os sons só me transportam à obscuridade.

O que resta é o silêncio, em sua penumbra, oferecendo-me a cura, Miragem!

A solidão, outrora amiga, tece meu único vínculo, a dor.

A agonia se aprofunda, o próprio aroma da morte se insinua.

Aproxima-se o instante de despedida; carece apenas coragem, um ato de ousadia!

Por quanto tempo ainda sustentarei tal padecimento?

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

21:19

Falta ar ao caminhar.

Visão turva do ser,

Propõe a incapacidade de enxergar,

A real direção.


Sede em mar aberto,

As chaves estão inalcançáveis.

Cansado de tentar entender,

Ao caminhar, o suor queima,

Escurece e não se pode ver.


Três estalos,

Cascalhos e poças de barro,

Com os pés sujos,

As marcas já não são vistas.


Agora, a esperança se desfez,

Sem tempo de esperar,

Outra hora possa me despedir,

Despido de alma,

Já não se pode suportar.


Intergeracional




No profundo da minha mente, as cicatrizes estão expostas.
A ferida existencial só comprova a minha incapacidade de existir.
O simples fato de não entender corrói-me dia após dia.
Do que adianta estar,
Se nem sei o que ser?
Não ser parte de um todo só demonstra que o descarte é a única solução.
Solidão, a solidão, por que queres me abandonar?
Nada sobrou.
Um banco, uma corda...
O nada.

Abril




No despertar de um novo dia traz consigo a vontade de inexistir.
A desesperança é tão profunda que é possível se afogar.
O frio lá fora só me faz lembrar do que sempre lutei para esquecer.
É, eu sei...
As portas estão abertas, mas não há para onde ir.
No despertar de um novo dia, talvez eu queira ir.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Marca Texto



Questionar a existência é necessário quando se quer saber o porquê de existir.

Realmente há um Deus? 

Por que o mal prevalece até nos dias ensolarados?

Não devemos esperar pela vida eterna, já que a morte é a única certeza.

Logo, questiono-me: qual é o sentido de estar vivo?