terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Anestesia

De nada adianta sorrir

Se não há motivos,

Nem chorar,

Já que não existem lágrimas a escorrer.

O vazio voltou

E nada é mais importante.

Só o silêncio,

A solidão.

Enquanto os pássaros cantam

Em pleno e alto bom som,

Eu me vejo na vala.

Ostracismo.

Com uma âncora aos pés,

Afundo.

Não há dor,

A anestesia da alma foi geral.

Os vícios

São meras cortesias

Que não me satisfazem.

Já são quase 11,

E tenho que me arrumar.

A rotina,

Repugnante,

Obrigatória.

O vazio está de volta,

Mas, desta vez,

Eu não vou mais questioná-lo.

Vou me jogar

Nessa vala

E aguardar

A decomposição existencial me extinguir.

Não sinto dor,

Só a falta de direção.

Talvez seja tarde demais

E melhor aceitar.