sábado, 29 de novembro de 2025

Lidar

 Partilhávamos os mesmos

Sonhos e medos.


Éramos felizes,

Mesmo em meio à tempestade,

Por mais duradoura que fosse.


Na luz ou na escuridão,

Estávamos ali,

Tentando seguir,

Mesmo quando os caminhos 

se tornavam tortuosos.


Mas, de repente,

A música que nos embalava

Parou de tocar,

E o silêncio tomou o lugar.


Os pássaros já não cantavam.


O céu já não era mais azul.

Nós deixamos de ser um. 

Dois caminhos se abriram,

Cada um para um lado.


O que era cura virou dor,

Morte prematura

Do pra sempre. 

Não há mais ...

nós 

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Nascente

Desde o início, eu já percebia que o fim se aproximava.

Não há calor nesta fornalha.

O vento que sopra as folhas apaga a brasa.

Já não há felicidade e sustentar aparências é um fardo inútil.

Mensagens que se perdem.

Chamadas que não se completam.

E, ao final do dia, tudo continua orbitando em torno de você.

Hoje, ao despertar, ouvi o silêncio.

Os pássaros cantavam, e eu apenas observei.

Há serenidade em quem contempla sem esperar.

A liberdade...

Inegociável, inalcançável, tão desejada.

Por que insistir em possuí-la, se ela pertence apenas a quem não a busca?

O tempo segue, indiferente.

E talvez ou melhor, certamente nem todos possam saborear o que é ser livre.

O que resta, então?

Aguardar a próxima manhã.

Pois somente nela será possível compreender que a liberdade não está em voar,

mas em saber contemplar mesmo da janela

aqueles que, ao longe,

seguem sem direção.