terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Real

Sinto-me bem aqui,

neste mundo artificial,

onde minha mente se torna livre

e minha alma, por instantes, é plena.

Mas logo o despertador toca,

e toda essa Matrix idealizada

se dissolve

num pesadelo real.

E, diferente dos sonhos que habito,

deste lugar eu não posso sair.

Por incompetência,

por fraqueza,

e talvez, por que não, por azar.

Sinto o fracasso cotidiano,

constante e doloroso.

Mas a culpa é minha,

eu sei.

Não fiz o suficiente.

Não me dediquei o suficiente.

Ou talvez

eu simplesmente não tenha sido escolhido

para colher

os frutos da árvore divina. 

Resta aceitar

e...

Engolir a seco

essa existência deplorável.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Castigo

Viver é lutar sabendo da derrota e entendendo que a luta em si já é uma forma de castigo.

Nada começa com sentido e nada termina com redenção.

O esforço diário não conduz a lugar algum; apenas adia o colapso.

Cada manhã é uma repetição mecânica

De um erro antigo; continuar respirando. 

Não por escolha, mas por inércia. 

O corpo insiste onde a vontade já desistiu.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Sexta

Disseram que, depois da tempestade, viria a bonança.

Mentiram!

O que veio foi outra tempestade:

Com céu rasgado por raios,

trovões que fazem o chão tremer,

E o vento violento

Traz consigo 

O medo de perder o pouco que ainda insiste em existir.

Mas logo me dou conta:

nunca houve muito a perder.

Nunca houve nada.

Eu sou nada.

Apenas mais um corpo atravessando o tempo.

Então, fico em silêncio.

Ouvindo a chuva bater no telhado

como se quisesse entrar.

Observando os reflexos tortos dos céus,

o clarão breve dos relâmpagos,

o barulho seco do mundo desabando lá fora.

É noite.

Sexta-feira.

O mundo continua girando

enquanto algo dentro de mim se apaga

devagar.


O medo, que antes me corroía, enfraquece.

Não porque tudo melhorou,

mas porque já não me importo em temer.

Não há nada que possa assustar

quando nada mais é realmente meu.

A chuva cai.

O vento quebra galhos.

As árvores resistem até onde podem

Como nós.

A natureza não consola.

Ela apenas acontece.

E talvez seja isso:

somos feitos do mesmo caos,

da mesma violência silenciosa,

da mesma passagem breve.

Que a tempestade.

No fim, não há promessa.

Não há bonança.

Só resta esperar,

enquanto o céu desaba,

e aceitar que a tempestade

nunca foi algo fora de nós.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Egos

Frente aos espelhos, vejo mentiras travestidas de carne;

poses congeladas, músculos ensaiados,

imagens artificiais clamando por perfeição.

Reflexo de cadáveres polidos pela vaidade,

Sombras que fingem ser primorosa

sob a luz dura dos holofotes.

Este salão saturado de suor,

onde corpos rastejam entre pesos e aparelhos,

é um circo de almas exaustas

buscando alto aprovação.

O cheiro de decomposição do ego.

um hino mórbido que embriaga meus sentidos,

Toda vez que observo a mesmas circunstâncias.

O cronômetro na parede 

marca o tique-taque do fim,

um ritual silencioso, um teatro proibido,

onde imagino o mundo limpo dos ruídos metálicos,

dos gritos abafados,

do culto incessante ao reflexo.

Vocês berram como cabos enferrujados,

e a minha mente os dissolve em silêncio.

Há gasolina nos meus pensamentos 

não para queimar pele,

mas para incendiar a ilusão do glamour,

para reduzir a cinzas essas máscaras coletivas

que todos fingem vestir com naturalidade.

O esqueiro dança entre os dedos da imaginação,

não para destruir,

mas para iluminar o que há por traz dos corpos,

medo, vaidade, insegurança, imperfeição.

Nesse salão, imagino o fogo se espalhar

vejo máscaras derreterem,

vejo corpos evaporar,

revelando o que realmente são.

Um sonho mórbido ou talvez, um fetiche da mente

que tenta sobreviver ao espetáculo diário

da perfeição fabricada.

sábado, 29 de novembro de 2025

Lidar

 Partilhávamos os mesmos

Sonhos e medos.


Éramos felizes,

Mesmo em meio à tempestade,

Por mais duradoura que fosse.


Na luz ou na escuridão,

Estávamos ali,

Tentando seguir,

Mesmo quando os caminhos 

se tornavam tortuosos.


Mas, de repente,

A música que nos embalava

Parou de tocar,

E o silêncio tomou o lugar.


Os pássaros já não cantavam.


O céu já não era mais azul.

Nós deixamos de ser um. 

Dois caminhos se abriram,

Cada um para um lado.


O que era cura virou dor,

Morte prematura

Do pra sempre. 

Não há mais ...

nós 

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Nascente

Desde o início, eu já percebia que o fim se aproximava.

Não há calor nesta fornalha.

O vento que sopra as folhas apaga a brasa.

Já não há felicidade e sustentar aparências é um fardo inútil.

Mensagens que se perdem.

Chamadas que não se completam.

E, ao final do dia, tudo continua orbitando em torno de você.

Hoje, ao despertar, ouvi o silêncio.

Os pássaros cantavam, e eu apenas observei.

Há serenidade em quem contempla sem esperar.

A liberdade...

Inegociável, inalcançável, tão desejada.

Por que insistir em possuí-la, se ela pertence apenas a quem não a busca?

O tempo segue, indiferente.

E talvez ou melhor, certamente nem todos possam saborear o que é ser livre.

O que resta, então?

Aguardar a próxima manhã.

Pois somente nela será possível compreender que a liberdade não está em voar,

mas em saber contemplar mesmo da janela

aqueles que, ao longe,

seguem sem direção.

domingo, 26 de outubro de 2025

Perda

O papel de Deus se finda ao nascermos.

A partir desse instante, o que prevalece é o acaso —

imprevisível, livre e inevitável.

Nem mesmo o divino pode controlá-lo.

Portanto, não te preocupes:

o que há de vir não depende de nós,

nem mesmo de Deus.

Aceite.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Guarda

Da janela

Eu vejo o céu,

vejo o sol,

o muro.


Mas sinto medo.

Medo de ir,

medo de ficar.


Angustiado,

respiro fundo,

sinto a brisa do vento

no rosto.


Mas sinto medo.

Não me sinto mais aqui,

mas não sei pra onde ir.


É 

eu sei.


Enquanto isso,

o tempo passa

e não volta.


Eu vejo o céu…

Vejo o vazio. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Nublado

Há dores que não gritam — apenas silenciam.

A traição é uma delas.

Chega mansa,

como quem sabe o caminho do peito,

e ali planta o frio.


Mas escuta:

nem toda ruptura é perda.

Às vezes é o destino abrindo a porta

para que escapes

de quem nunca te soube merecer.


Faz a tua parte.

Oferece o que tens de melhor —

não como moeda de troca,

mas como testemunho

de que ainda sabes amar

sem corromper o que há de puro em ti.


Confia, mesmo quando o mundo zomba.

Amar é risco —

e o risco é o preço do amor.


Se te traírem,

não devolvas o golpe.

Não te tornes o espelho

do que te feriu.

Perdoa — não por bondade,

mas por amor à tua própria paz.


Segue.

Respeita-te.

A dignidade é como linha e agulha:

costura o que o orgulho rasgou,

refaz o tecido da alma

e te veste novamente de inteireza.


Quem divide o corpo com outro

enquanto promete amor a ti,

já se perdeu —

e, ao perder-se, também te perdeu.

E não há mais o que buscar

onde já não existe espelho

para a verdade.


Não te vingues.

A vingança mata primeiro

quem a carrega no peito.


Sê leve.

Sê paz.

E lembra:

quem te traiu

 perdeu um amor —

mas tu...

tu te ganhaste de volta.

sábado, 4 de outubro de 2025

Integral

Os breves momentos de alegria

se tornaram peças de frustração.

Assim que botamos a cabeça no travesseiro,

o amanhã, caso chegue,

não trará nada de novo —

somente os mesmos fracassos

que já fazem parte de mim.

As mudanças repentinas de humor

são a forma de transparecer

as frustrações

do eu.

Aliás

O que me resta?

Então, respondo:

Aceitar.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Onda Sul

Aos 16,

Era eu, um rádio e sonhos.

Agora, aos 35,

Solidão, tristeza e fracassos.

A realidade me acorda todos os dias,

Para mostrar meus erros e fracassos,

Todos os meus passos em vão.

Os sonhos de um jovem tornaram-se pesadelos reais.

O que me resta é viver essa nostalgia momentânea

Dos sonhos que nunca se tornaram reais.

Cruel, não é mesmo?

E… eu sei.

Fracassei.

Não precisa me lembrar.


terça-feira, 26 de agosto de 2025

Ir

A putrefação da alma

me torna só,

me sinto só.


Vazio.

Sem cor.

Sem ar.


Já não sinto mais

vontade de ir —

muito menos de estar.


Questiono: por quê?


Sei que os pássaros ainda estão aqui,

voando,

cantando,

livres.


Por que não eu?


Queria poder deixar

o vento soprar

e me levar

pra longe daqui.


Liberto.

Livre.

Feliz.


Diferente do agora:

preso,

infeliz.


Esse é o preço

das escolhas que fiz.


E talvez

apenas talvez

ainda haja tempo

de escolher

Fragmentos

A cada passo que dou,

passo sem perceber

que já passou.


O instante se dissolve

como areia fina

escorrendo entre os dedos,

e o que resta

são apenas vestígios

de um tempo

que não volta.


A vida, em seus devaneios,

abre janelas invisíveis

para que enxerguemos

aquilo que os olhos

não sabem ver.


O tempo —

companheiro generoso,

inimigo silencioso —

avança.

E no avançar,

desfaz lentamente

tudo o que acreditamos ser.


Do todo que nos envolve,

somos apenas fragmentos,

cacos de eternidade

perdidos no nada.


E quando o silêncio

nos abraça por inteiro,

descobrimos que o fim

não é inimigo,

mas a única e verdadeira resposta

que a vida sempre prometeu.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Relógio

----

Os tempos são iguais

Nada mudou

E nem irá mudar

As voltas do relógio só trazem a repetição

E a decepção

De ser algo recorrente

Repetitivo

O fracasso que tanto temia

Hoje é o sinônimo de mim

Não há nada

Não ter nada

Não ser nada

Não sou nada

E assim se repetindo

Rotineiramente

Até quando?

Eu não sei...

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Putrefação


O reflexo no espelho

não fala mais minha língua.

Vejo um vulto,

mudo, tremendo —

pedindo socorro com os olhos

que ninguém quer ver.

Está só.

Na cova rasa da existência,

esperando o esquecimento

como quem espera alívio.

O odor não é de morte,

mas de ausência.

Não há cadáver,

há alma

vazando aos poucos

de um corpo que já não habita.

Liberta-se,

não com gestos —

mas com o silêncio

que consome por dentro.

A dor tem nome,

mas ninguém o pronuncia.

E o mundo segue,

indiferente.

Amargor

O nó retorna,

lento, faminto,

como neblina que engole o corpo por dentro.

Há escombros onde antes havia voz.

Caminho entre ruínas,

fingindo que há chão sob os pés.

O que resta são ecos.

Sombras de uma força inventada.

Mentiras que aprendi a chamar de esperança.

O fim não grita.

Ele sussurra.

E sussurra sempre.

A porta entreaberta espera.

Não há pressa.

Só vento —

e o vento sabe desfazer o que toca.

Eu sou o que sobra

depois que tudo já foi.


terça-feira, 3 de junho de 2025

Solúvel

A solidão,
como uma xícara de café amargo,
ameniza a dor.
Não ter a quem murmurar
facilita a existência —
Vazia e sem sentido.

Um cigarro a mais
não vai me matar.
Por mais que eu queira,
por mais que eu peça,
para minha infelicidade,
ainda respiro.

O inverno chegou com seu frio.
Já é noite, terça-feira.
E eu continuo a esperar
a hora de deixar de ser.

A inexistência cotidiana me faz refletir:
Devo continuar?
Não sei.
Apenas aguardo
o fim.
Que venha breve —
Que seja breve.
Já é tarde,
e eu...
Já não posso mais esperar.

sábado, 31 de maio de 2025

Carvão

Não pertenço mais a você.

A inércia é o que me faz permanecer.

Partir tornou-se necessário.

Seguir outra direção,

buscando um reencontro.

Os dias já não são os mesmos.

Não há mais cor.

Desculpe,

mas, desta vez,

eu preciso ir.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Meio-fio


Caminhei por uma rua sem saída,
onde a infância assobiava dos muros.

Vultos passaram,
ecoando seus laços defeituosos.

O vento trazia poeira e solidão.

Então,
deslizei no concreto,
como quem tenta esquecer em movimento.

Mas um corpo cruzou meu caminho.
Logo,
a raiva saiu antes do juízo.

O mundo, injusto como é,
respondeu com ameaça.

Corri pelos telhados do medo,
carregando o peso do erro.

Na mão, o fogo 
no peito, a solidão.

Encontrei o engano no fim do caminho.

Os risos revelaram
o que minha alma  sempre escondeu:
— O vazio.

Ele me olhou, fingindo não entender,
e eu... fugi.
Como covarde que sou.


terça-feira, 20 de maio de 2025

Traços

Eu gostaria de estar aí,

nos seus braços… mas já não é possível.

O passado não retorna.

E relembrá-lo me mata —

Como pequenas doses de ricina.

Sinto uma dor insuportável ao reviver aquilo que não posso mais ter.

Foi uma partida brusca, sem um adeus…

E, desde então, recolho meus cacos todos os dias.

Mas é impossível consertar o que já quebrou.

Olhar as fotos, sentir,

perceber que… é cruel.

Prefiro partir a continuar sentir.

Meus gritos não são ouvidos.

Minhas lágrimas não cessam.

E eu não consigo parar...

De pensar.

Aguardar o que não volta

E morrer aos poucos.

Expresso

Querida Solidão, 

 Hoje, resolvi não ligar para você.

Você me pediu paz… e, sinceramente, até agora eu não consegui te dar isso. Talvez você tenha razão. Um tempo sozinho não faz mal a ninguém — mas o seu "um" me fez muito mal.

Eu entendo. Talvez doa mais em você… ou talvez não.

O mais difícil é olhar nos seus olhos e tentar compreender.
É difícil falar com você pelo telefone.
É impossível parar de pensar em você.

São tantas impossibilidades que fica difícil me expressar.

Mas talvez… você esteja certa.
Só que o tempo já não é tão amigo,
e meu coração já não é tão forte.

Não há para onde ir.
Ninguém parece me entender.
Nem minha mãe, que pensa na vida o dia inteiro.

E, mais uma vez, talvez você tenha razão sobre tudo isso que me confunde tanto.
Um tempo não faz mal a ninguém —
mas, para mim,
não faz nada bem.


Paragráfo


Não há solução naquilo que já está posto.
O tempo é apenas revelador, guiando-nos para o nada.
Respostas não serão encontradas.
O que me resta é aguardar: o fim, a escuridão.
Abraço a solidão.
Procuro conforto, mas só encontro dor.
O que resta é a dor; está frio, escuro,
não há ninguém.
Chegou a hora de partir – a corda, o banco,
não ouço, não vejo, não sinto.
Apesar do temor, o que me resta é partir,
ao meio.
Mesmo sem entender o porquê, enfim,
Talvez esse seja o meu fim. 

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Suavemente

Tão fria,

Como uma sexta-feira de inverno.

Novamente,

Se faz de amiga.

Sombria e inerte,

Seduzente.

A solidão.

É vazia.

Consigo,

Traz

A desesperança e a dor.

Não há resposta.

Não há saída.

Outra vez,

À deriva.

Já é tarde.

Está escuro.

O breu, o frio,

Demonstram que

Não há ninguém.

Apenas o silêncio, o vazio,

O nada.

domingo, 4 de maio de 2025

Cadeado

Eu me apaguei pensando em você,

talvez pela última vez...

desde a primeira

em que ouso lembrar.


Talvez você não veja,

não leia,

não guarde,

não se importe.


Mas sempre que meus olhos tocam o horizonte,

enxergam os seus

cravados nos meus —

mesmo ausentes.


A saudade,

velha assassina,

arde como veneno.

Ao menos alerta,

em silêncio,

que a dose que escolhi

pode me matar.

domingo, 30 de março de 2025

Saída de emergência

A solidão, outrora refúgio, já não me embala com o mesmo silêncio.

Não há mais paz na ausência, apenas perguntas sem destinatário.


Por que estar só?

Onde repousar sem desabar?

O que esperar, quando a espera é vã?


Sou peça solta de um quebra-cabeça sem bordas,

engrenagem sem encaixe,

o estranho que se dissolve na multidão.


E, paradoxalmente, só na solidão encontro abrigo.

No escuro, cercado por muros invisíveis,

onde os olhares não pesam e o mundo não exige.


Resta aguardar—

quem sabe, em outro tempo, em outra versão de mim,

a resposta se revele.


domingo, 26 de janeiro de 2025

Nada


Vivemos ilusões confortáveis, pequenas mentiras que preenchem provisoriamente o vazio da nossa existência, enquanto lentamente nos destroem. 

O que é existir?

Se não sabemos o porquê de estarmos, qual é a razão da nossa existência?

Medo e coragem, conceitos impostos, palavras vazias que nos ensinaram a temer. 

Caminhamos, mas para onde? Para o nada, ou melhor  não somos nada. 

Reduzimo-nos a matéria que se desfaz com o tempo, enquanto nos prendemos a ilusões de transcendência.

Promessas de salvação nos enganam; a vida eterna não é nada além de uma ilusão criada por mentes perniciosas.

Não há destino, não há propósito!

O que resta é aguardar a putrefação do corpo e o desaparecimento daquilo que chamamos alma — se é que ela existe.




Habitação

A reviravolta que tanto esperamos não vem de fora, mas de dentro de nós mesmos. Repetimos passos e sentimos que não saímos do lugar porque nossos pensamentos giram em círculos, sem propósito claro. A deriva, sem razão de continuar, nos esquecemos de que a razão está em como vivemos o presente. Por onde andei? Não importa mais do que onde posso ir. É difícil compreender como a monotonia fere tanto, mas é o apego ao que foi ou ao que deveria ser que nos prende.
Onde estão os planos e promessas? Não no futuro, mas na coragem de começar agora. A esperança que parece inexistente só afunda quem depende dela como única luz. Falta ar? Falta porque respiramos ansiosos pelo amanhã. Falta luz? Porque desviamos os olhos do instante presente.
Sem direção, seguimos porque tememos parar. Procuramos afirmação nos outros, esquecendo que ela só tem valor quando vem de nós mesmos. O vento sopra, e embora não enxerguemos a luz, ela existe — mesmo que abafada pela névoa do desânimo. Acreditar não é questão de visão, mas de escolha.
O vazio só é insuportável para quem o teme. O silêncio só ecoa como insuportável porque fugimos de ouvir a nós mesmos. Não há saída porque não há prisão: apenas uma mente que se perdeu de si mesma. A saída está em redescobrir a força que sempre esteve em
 nós.


terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Travessia

O que me resta é aguardar que a tempestade se dissipe; se assim não for, que a travessia seja breve.

Aquilo que não está em meu poder mudar, não merece meu lamento, mas minha aceitação serena.

Não me entrego às expectativas nem me prendo à esperança; apenas acolho o presente como ele é, com a mente tranquila e o espírito firme.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Feixe

 O espelho reflete uma ilusão,

uma aparência que oculta a essência

e não deve nos definir.


A autoimagem é uma projeção limitada,

incapaz de revelar a verdade do que somos:

matéria efêmera, sujeita à decomposição pelo tempo.


O espelho revela apenas uma superfície falsa,

um reflexo do vazio que carregamos.

O que vemos ali é transitório,

destinado a desaparecer.


Somos apenas matéria em fluxo, finita;

apenas um espaço vazio no imenso universo.


Reconhecer essa impermanência

é aceitar nossa condição

e nossa insignificância perante o todo.


É nesse reconhecimento que reside a oportunidade de transcender:

a virtude, o caráter e a sabedoria

são as únicas coisas que realmente nos pertencem

e que restam antes de deixarmos de existir.