A solidão, outrora refúgio, já não me embala com o mesmo silêncio.
Não há mais paz na ausência, apenas perguntas sem destinatário.
Por que estar só?
Onde repousar sem desabar?
O que esperar, quando a espera é vã?
Sou peça solta de um quebra-cabeça sem bordas,
engrenagem sem encaixe,
o estranho que se dissolve na multidão.
E, paradoxalmente, só na solidão encontro abrigo.
No escuro, cercado por muros invisíveis,
onde os olhares não pesam e o mundo não exige.
Resta aguardar—
quem sabe, em outro tempo, em outra versão de mim,
a resposta se revele.
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