domingo, 7 de julho de 2024

Trinta e quatro

A solidão é uma constante presença, uma verdade que todos conhecem. A cada grau, ela aperta seu cerco, sufocando aos poucos. Como o cair da noite de um domingo, a escuridão se aproxima lentamente, tentando puxar você para o fundo, como um lamaçal.


Você sente que está afundando? Talvez sim. Não há saída, nem solução. A solidão é sua sombra fiel, sempre ao seu lado. Ela não vai te abandonar, por mais que você deseje. 


Eu o avisei...

terça-feira, 4 de junho de 2024

Sexta-feira

Nas noites frias, penso em ti,

Espectros que assombram sem fim.

Reescrever o apagado,

Reviver o que está enterrado.


O tempo, insidiosa entidade,

Há de reencontrar a saudade?

Almejo o impossível, será?

Saudade, veneno a matar devagar.


Marca indelével do passado,

Não desfaz o vivido, deixado.

Viver, reescrever, renascer,

O que a sangue frio foste a deter.


Noites gélidas, lembranças vêm,

Sombras que jamais querer bem.

Memória tirana, desejo insaciável, ausente.


Nesse ciclo eterno, desilusão,

Buscamos sentido, talvez em vão.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Murmúrio Sepulcral

 

No desdobramento sombrio do passado,
Erguem-se as sombras que obscureceram a jornada,
Trazendo consigo o eco dos lamentos antigos,
Sussurros sepulcrais em sinfonia macabra.

Sinto o calor de uma presença já ausente,
Lembrança que queima na penumbra do presente.
As luzes, outrora vivas, murcham no crepúsculo,
Tingindo o ar com o odor da memória sepulcral.

Passos ecoam como o pulsar de um coração moribundo,
Aproximando-se inexoravelmente do abismo que me cerca.
Mas aqui, neste precipício da alma,
Não há mais o que perder.

O abismo, sombrio em sua impenetrável escuridão,
Revela-se como único refúgio possível.
Talvez, nesse derradeiro chamado,
Encontre a paz tão almejada,

Lançando-me ao vazio,
Que agora se ergue como única salvação.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Espaço


Na ausência de uma essência definida, a transcendência ao deixar de existir resulta em uma transformação inexistente. 

A busca por ocupar espaços efêmeros reflete a futilidade de uma existência vazia.

A suposta dor da partida é questionada, despojando mitos sobre paraísos e salvação como ilusões. 

A vida eterna é desmistificada como um vazio, e a inexistência é aceita como a verdade fundamental. 

A insignificância existencial permeia a compreensão de que nada somos, nada existe, e o vazio da escuridão sempre prevalecerá.

sábado, 6 de janeiro de 2024

Devaneio

Neste quarto escuro, pondero sobre a ideia de cessar a existência,talvez seja um momento de fragilidade ou uma convicção sem sentido de perseverar.


Todas as coisas se revelam monocromáticas e desprovidas de esperança, a ponto de não haver razão para prosseguir.


Contudo, isso pode ser apenas um devaneio momentâneo, sussurrando para que eu continue.