terça-feira, 26 de agosto de 2025

Ir

A putrefação da alma

me torna só,

me sinto só.


Vazio.

Sem cor.

Sem ar.


Já não sinto mais

vontade de ir —

muito menos de estar.


Questiono: por quê?


Sei que os pássaros ainda estão aqui,

voando,

cantando,

livres.


Por que não eu?


Queria poder deixar

o vento soprar

e me levar

pra longe daqui.


Liberto.

Livre.

Feliz.


Diferente do agora:

preso,

infeliz.


Esse é o preço

das escolhas que fiz.


E talvez

apenas talvez

ainda haja tempo

de escolher

Fragmentos

A cada passo que dou,

passo sem perceber

que já passou.


O instante se dissolve

como areia fina

escorrendo entre os dedos,

e o que resta

são apenas vestígios

de um tempo

que não volta.


A vida, em seus devaneios,

abre janelas invisíveis

para que enxerguemos

aquilo que os olhos

não sabem ver.


O tempo —

companheiro generoso,

inimigo silencioso —

avança.

E no avançar,

desfaz lentamente

tudo o que acreditamos ser.


Do todo que nos envolve,

somos apenas fragmentos,

cacos de eternidade

perdidos no nada.


E quando o silêncio

nos abraça por inteiro,

descobrimos que o fim

não é inimigo,

mas a única e verdadeira resposta

que a vida sempre prometeu.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Relógio

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Os tempos são iguais

Nada mudou

E nem irá mudar

As voltas do relógio só trazem a repetição

E a decepção

De ser algo recorrente

Repetitivo

O fracasso que tanto temia

Hoje é o sinônimo de mim

Não há nada

Não ter nada

Não ser nada

Não sou nada

E assim se repetindo

Rotineiramente

Até quando?

Eu não sei...