quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Haver

Um abraço,
Já foi afago,
Hoje 
Só solidão.
Fogo baixo,
Sem oxigênio,
Me debato
Como um peixe fora d'água.
Era luz,
Hoje escuridão.
Sorrisos se transformaram em lágrimas
A  esperança virou desilusão.
O amor por ti,
Se foi
Maré adentro.
Desculpe-me...
Não me espere mais.

Híbrido

Os meus erros me trouxeram
Até aqui
E, só agora percebo 
Que estava completamente errado
Talvez devesse ter olhado para o meu reflexo,
E percebido, que estava completamente equivocado.
Não há o que fazer.
Agora a deriva
Sem rumo,
Sem direção.
Se pudesse...

Na há o que fazer .
Que a próxima onda venha 
E me leve... Para algum lugar 
Longe daqui.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Marlboro

Pela janela, observo —
tão bela, tão vazia.

O gosto do seu sangue na boca,
um lembrete da inevitável decadência.

Ela pede socorro,
mas ninguém escuta.

Era domingo, véspera de Ano Novo.
Um dia como qualquer outro,
sem significado, sem esperança.

Ela não teve despedida.
Não há despedidas neste vazio.

Não sou um monstro.
Não, sou apenas um reflexo.
Um homem buscando sentido
num mundo que não oferece nenhum.

Sua beleza me irritava —
um brilho inútil, passageiro.

Seu sangue, doce como mel,
não cura a fome existencial.

Essa adrenalina —
um suspiro breve na eternidade insensível,
um alívio temporário na ausência de sentido.

Talvez eu faça isso de novo.
Porque nada importa.

Sua alma?
A quem ela pertence, senão ao nada?

Não tente olhar para trás —
não há para onde fugir.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Guerra

Estou em guerra.
O inimigo? Sou eu.

Um soldado ferido —
um só, e sou eu.

Não há salvação.

Guerra fria.
Armas invisíveis.

Quem vence uma guerra
quando o inimigo
é o próprio reflexo?

São quase duas da manhã...
e ainda não consigo dormir