Pela janela, observo —
tão bela, tão vazia.
O gosto do seu sangue na boca,
um lembrete da inevitável decadência.
Ela pede socorro,
mas ninguém escuta.
Era domingo, véspera de Ano Novo.
Um dia como qualquer outro,
sem significado, sem esperança.
Ela não teve despedida.
Não há despedidas neste vazio.
Não sou um monstro.
Não, sou apenas um reflexo.
Um homem buscando sentido
num mundo que não oferece nenhum.
Sua beleza me irritava —
um brilho inútil, passageiro.
Seu sangue, doce como mel,
não cura a fome existencial.
Essa adrenalina —
um suspiro breve na eternidade insensível,
um alívio temporário na ausência de sentido.
Talvez eu faça isso de novo.
Porque nada importa.
Sua alma?
A quem ela pertence, senão ao nada?
Não tente olhar para trás —
não há para onde fugir.
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