Frente aos espelhos, vejo mentiras travestidas de carne;
poses congeladas, músculos ensaiados,
imagens artificiais clamando por perfeição.
Reflexo de cadáveres polidos pela vaidade,
Sombras que fingem ser primorosa
sob a luz dura dos holofotes.
Este salão saturado de suor,
onde corpos rastejam entre pesos e aparelhos,
é um circo de almas exaustas
buscando alto aprovação.
O cheiro de decomposição do ego.
um hino mórbido que embriaga meus sentidos,
Toda vez que observo a mesmas circunstâncias.
O cronômetro na parede
marca o tique-taque do fim,
um ritual silencioso, um teatro proibido,
onde imagino o mundo limpo dos ruídos metálicos,
dos gritos abafados,
do culto incessante ao reflexo.
Vocês berram como cabos enferrujados,
e a minha mente os dissolve em silêncio.
Há gasolina nos meus pensamentos
não para queimar pele,
mas para incendiar a ilusão do glamour,
para reduzir a cinzas essas máscaras coletivas
que todos fingem vestir com naturalidade.
O esqueiro dança entre os dedos da imaginação,
não para destruir,
mas para iluminar o que há por traz dos corpos,
medo, vaidade, insegurança, imperfeição.
Nesse salão, imagino o fogo se espalhar
vejo máscaras derreterem,
vejo corpos evaporar,
revelando o que realmente são.
Um sonho mórbido ou talvez, um fetiche da mente
que tenta sobreviver ao espetáculo diário
da perfeição fabricada.