Disseram que, depois da tempestade, viria a bonança.
Mentiram!
O que veio foi outra tempestade:
Com céu rasgado por raios,
trovões que fazem o chão tremer,
E o vento violento
Traz consigo
O medo de perder o pouco que ainda insiste em existir.
Mas logo me dou conta:
nunca houve muito a perder.
Nunca houve nada.
Eu sou nada.
Apenas mais um corpo atravessando o tempo.
Então, fico em silêncio.
Ouvindo a chuva bater no telhado
como se quisesse entrar.
Observando os reflexos tortos dos céus,
o clarão breve dos relâmpagos,
o barulho seco do mundo desabando lá fora.
É noite.
Sexta-feira.
O mundo continua girando
enquanto algo dentro de mim se apaga
devagar.
O medo, que antes me corroía, enfraquece.
Não porque tudo melhorou,
mas porque já não me importo em temer.
Não há nada que possa assustar
quando nada mais é realmente meu.
A chuva cai.
O vento quebra galhos.
As árvores resistem até onde podem
Como nós.
A natureza não consola.
Ela apenas acontece.
E talvez seja isso:
somos feitos do mesmo caos,
da mesma violência silenciosa,
da mesma passagem breve.
Que a tempestade.
No fim, não há promessa.
Não há bonança.
Só resta esperar,
enquanto o céu desaba,
e aceitar que a tempestade
nunca foi algo fora de nós.
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