sexta-feira, 1 de maio de 2026

Hoje

Já parou pra pensar que hoje pode ser o último?

O último nascer do sol, o último canto dos pássaros, o último céu azul, o último olhar no espelho...

Vivemos esperando pelo amanhã, como se ele fosse certo. Mas, no fundo, sabemos que não é. 

Todos os nossos sonhos, planos e promessas podem nem chegar a existir.

Então, o que somos?

O agora.

E o amanhã?

Este não nos pertence.

Mas isso não significa que devemos viver como se não houvesse amanhã. 

Não é sobre isso.

É sobre viver o hoje com consciência de que ele é a única coisa que realmente nos pertence. E ser grato por isso.

E, se o amanhã vier, devemos recebê-lo com gratidão.

Entenda,

A única certeza que temos é a partida. Não sabemos quando, como ou por quê.

Por isso, hoje, agradeça pelo que é. 

E não viva preso ao amanhã, apenas esteja pronto, se ele vier. Um

domingo, 19 de abril de 2026

Fio

 

A negatividade astral

afasta tudo ao meu redor,

como uma âncora cravada no fundo 

não me deixa ir, só afundar.


Desço devagar

nesse mar frio, espesso,

onde o som não chega inteiro

e a luz se perde antes de tocar.


Não vejo além do vazio,

mas ele me vê.


As vozes do lado de fora da janela

batem como chuva em vidro fechado 

não entram, não insistem,

não me alcançam.


O escuro se abre

como um abraço conhecido:

não acolhe,

mas também não rejeita.


Carrego nos ombros

as marcas de quedas antigas 

rostos que reconheço no espelho

quando evito olhar demais.


Há um peso constante

sobre a minha cabeça,

como se o tempo inteiro

algo estivesse prestes a ceder.


E aos domingos,

sem aviso, sem falha,

tudo retorna ao início 

como se nunca tivesse ido.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Nublado

O tempo demonstrou

quem eu sou

não é o que eu pretendia ser.


Planos e promessas

perderam-se no tempo,

e o vento os levou.


A desesperança,

que por vezes era dor,

hoje anestesia a alma.


Talvez tenha alçado voos altos demais,

e hoje percebo

que a terra firme

é a única coisa que pode me sustentar.


Quando ouvi

que jamais seria feliz,

essa premissa estava certa.


Agora eu entendo:

o sol não é para todos.


E, para estes,

o melhor a fazer

é acostumar-se com a escuridão.


Fria,

cruel,

mas o único abrigo

que nos resta.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Anestesia

De nada adianta sorrir

Se não há motivos,

Nem chorar,

Já que não existem lágrimas a escorrer.

O vazio voltou

E nada é mais importante.

Só o silêncio,

A solidão.

Enquanto os pássaros cantam

Em pleno e alto bom som,

Eu me vejo na vala.

Ostracismo.

Com uma âncora aos pés,

Afundo.

Não há dor,

A anestesia da alma foi geral.

Os vícios

São meras cortesias

Que não me satisfazem.

Já são quase 11,

E tenho que me arrumar.

A rotina,

Repugnante,

Obrigatória.

O vazio está de volta,

Mas, desta vez,

Eu não vou mais questioná-lo.

Vou me jogar

Nessa vala

E aguardar

A decomposição existencial me extinguir.

Não sinto dor,

Só a falta de direção.

Talvez seja tarde demais

E melhor aceitar.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Dose

O copo meio cheio

Carrega, em silêncio, o vazio

do tempo,

que passa sem pedir licença

e some no piscar dos olhos.

Então,

Mesmo sabendo que o fim

É a única certeza,

E correto questionar:

Por que devemos aceitá-lo?

Se, no fundo,

Nunca estamos prontos para tal?

Dizem que somos

O resultado das nossas escolhas,

Mas, meus caros,

Não há escolha,

é assim para todos.

Aceite.

Isso não me consola.

Nem me conforta 

Só sei que 

A cada dia,

Ele se aproxima.

Disfarçado de rotina,

De risos,

De lágrimas.

Sinto medo.

Não do fim em si,

Mas de não ter vivido o bastante

Para entender

Que não controlo o caminho,

Que não escrevo o destino,

Que tudo acontece

Por culpa

Única e exclusiva

Do acaso.

É isso que nos define.

Somos obra do acaso.

E dele

Não podemos esperar nada.

Pois é o que somos.