De nada adianta sorrir
Se não há motivos,
Nem chorar,
Já que não existem lágrimas a escorrer.
O vazio voltou
E nada é mais importante.
Só o silêncio,
A solidão.
Enquanto os pássaros cantam
Em pleno e alto bom som,
Eu me vejo na vala.
Ostracismo.
Com uma âncora aos pés,
Afundo.
Não há dor,
A anestesia da alma foi geral.
Os vícios
São meras cortesias
Que não me satisfazem.
Já são quase 11,
E tenho que me arrumar.
A rotina,
Repugnante,
Obrigatória.
O vazio está de volta,
Mas, desta vez,
Eu não vou mais questioná-lo.
Vou me jogar
Nessa vala
E aguardar
A decomposição existencial me extinguir.
Não sinto dor,
Só a falta de direção.
Talvez seja tarde demais
E melhor aceitar.
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