domingo, 26 de janeiro de 2025

Nada


Vivemos ilusões confortáveis, pequenas mentiras que preenchem provisoriamente o vazio da nossa existência, enquanto lentamente nos destroem. 

O que é existir?

Se não sabemos o porquê de estarmos, qual é a razão da nossa existência?

Medo e coragem, conceitos impostos, palavras vazias que nos ensinaram a temer. 

Caminhamos, mas para onde? Para o nada, ou melhor  não somos nada. 

Reduzimo-nos a matéria que se desfaz com o tempo, enquanto nos prendemos a ilusões de transcendência.

Promessas de salvação nos enganam; a vida eterna não é nada além de uma ilusão criada por mentes perniciosas.

Não há destino, não há propósito!

O que resta é aguardar a putrefação do corpo e o desaparecimento daquilo que chamamos alma — se é que ela existe.




Habitação

A reviravolta que tanto esperamos não vem de fora, mas de dentro de nós mesmos. Repetimos passos e sentimos que não saímos do lugar porque nossos pensamentos giram em círculos, sem propósito claro. A deriva, sem razão de continuar, nos esquecemos de que a razão está em como vivemos o presente. Por onde andei? Não importa mais do que onde posso ir. É difícil compreender como a monotonia fere tanto, mas é o apego ao que foi ou ao que deveria ser que nos prende.
Onde estão os planos e promessas? Não no futuro, mas na coragem de começar agora. A esperança que parece inexistente só afunda quem depende dela como única luz. Falta ar? Falta porque respiramos ansiosos pelo amanhã. Falta luz? Porque desviamos os olhos do instante presente.
Sem direção, seguimos porque tememos parar. Procuramos afirmação nos outros, esquecendo que ela só tem valor quando vem de nós mesmos. O vento sopra, e embora não enxerguemos a luz, ela existe — mesmo que abafada pela névoa do desânimo. Acreditar não é questão de visão, mas de escolha.
O vazio só é insuportável para quem o teme. O silêncio só ecoa como insuportável porque fugimos de ouvir a nós mesmos. Não há saída porque não há prisão: apenas uma mente que se perdeu de si mesma. A saída está em redescobrir a força que sempre esteve em
 nós.


terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Travessia

O que me resta é aguardar que a tempestade se dissipe; se assim não for, que a travessia seja breve.

Aquilo que não está em meu poder mudar, não merece meu lamento, mas minha aceitação serena.

Não me entrego às expectativas nem me prendo à esperança; apenas acolho o presente como ele é, com a mente tranquila e o espírito firme.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Feixe

 O espelho reflete uma ilusão,

uma aparência que oculta a essência

e não deve nos definir.


A autoimagem é uma projeção limitada,

incapaz de revelar a verdade do que somos:

matéria efêmera, sujeita à decomposição pelo tempo.


O espelho revela apenas uma superfície falsa,

um reflexo do vazio que carregamos.

O que vemos ali é transitório,

destinado a desaparecer.


Somos apenas matéria em fluxo, finita;

apenas um espaço vazio no imenso universo.


Reconhecer essa impermanência

é aceitar nossa condição

e nossa insignificância perante o todo.


É nesse reconhecimento que reside a oportunidade de transcender:

a virtude, o caráter e a sabedoria

são as únicas coisas que realmente nos pertencem

e que restam antes de deixarmos de existir.