domingo, 26 de janeiro de 2025

Habitação

A reviravolta que tanto esperamos não vem de fora, mas de dentro de nós mesmos. Repetimos passos e sentimos que não saímos do lugar porque nossos pensamentos giram em círculos, sem propósito claro. A deriva, sem razão de continuar, nos esquecemos de que a razão está em como vivemos o presente. Por onde andei? Não importa mais do que onde posso ir. É difícil compreender como a monotonia fere tanto, mas é o apego ao que foi ou ao que deveria ser que nos prende.
Onde estão os planos e promessas? Não no futuro, mas na coragem de começar agora. A esperança que parece inexistente só afunda quem depende dela como única luz. Falta ar? Falta porque respiramos ansiosos pelo amanhã. Falta luz? Porque desviamos os olhos do instante presente.
Sem direção, seguimos porque tememos parar. Procuramos afirmação nos outros, esquecendo que ela só tem valor quando vem de nós mesmos. O vento sopra, e embora não enxerguemos a luz, ela existe — mesmo que abafada pela névoa do desânimo. Acreditar não é questão de visão, mas de escolha.
O vazio só é insuportável para quem o teme. O silêncio só ecoa como insuportável porque fugimos de ouvir a nós mesmos. Não há saída porque não há prisão: apenas uma mente que se perdeu de si mesma. A saída está em redescobrir a força que sempre esteve em
 nós.


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