O copo meio cheio
Carrega, em silêncio, o vazio
do tempo,
que passa sem pedir licença
e some no piscar dos olhos.
Então,
Mesmo sabendo que o fim
É a única certeza,
E correto questionar:
Por que devemos aceitá-lo?
Se, no fundo,
Nunca estamos prontos para tal?
Dizem que somos
O resultado das nossas escolhas,
Mas, meus caros,
Não há escolha,
é assim para todos.
Aceite.
Isso não me consola.
Nem me conforta
Só sei que
A cada dia,
Ele se aproxima.
Disfarçado de rotina,
De risos,
De lágrimas.
Sinto medo.
Não do fim em si,
Mas de não ter vivido o bastante
Para entender
Que não controlo o caminho,
Que não escrevo o destino,
Que tudo acontece
Por culpa
Única e exclusiva
Do acaso.
É isso que nos define.
Somos obra do acaso.
E dele
Não podemos esperar nada.
Pois é o que somos.
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