domingo, 19 de abril de 2026

Fio

 

A negatividade astral

afasta tudo ao meu redor,

como uma âncora cravada no fundo 

não me deixa ir, só afundar.


Desço devagar

nesse mar frio, espesso,

onde o som não chega inteiro

e a luz se perde antes de tocar.


Não vejo além do vazio,

mas ele me vê.


As vozes do lado de fora da janela

batem como chuva em vidro fechado 

não entram, não insistem,

não me alcançam.


O escuro se abre

como um abraço conhecido:

não acolhe,

mas também não rejeita.


Carrego nos ombros

as marcas de quedas antigas 

rostos que reconheço no espelho

quando evito olhar demais.


Há um peso constante

sobre a minha cabeça,

como se o tempo inteiro

algo estivesse prestes a ceder.


E aos domingos,

sem aviso, sem falha,

tudo retorna ao início 

como se nunca tivesse ido.

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