A negatividade astral
afasta tudo ao meu redor,
como uma âncora cravada no fundo
não me deixa ir, só afundar.
Desço devagar
nesse mar frio, espesso,
onde o som não chega inteiro
e a luz se perde antes de tocar.
Não vejo além do vazio,
mas ele me vê.
As vozes do lado de fora da janela
batem como chuva em vidro fechado
não entram, não insistem,
não me alcançam.
O escuro se abre
como um abraço conhecido:
não acolhe,
mas também não rejeita.
Carrego nos ombros
as marcas de quedas antigas
rostos que reconheço no espelho
quando evito olhar demais.
Há um peso constante
sobre a minha cabeça,
como se o tempo inteiro
algo estivesse prestes a ceder.
E aos domingos,
sem aviso, sem falha,
tudo retorna ao início
como se nunca tivesse ido.
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