quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Egos

Frente aos espelhos, vejo mentiras travestidas de carne;

poses congeladas, músculos ensaiados,

imagens artificiais clamando por perfeição.

Reflexo de cadáveres polidos pela vaidade,

Sombras que fingem ser primorosa

sob a luz dura dos holofotes.

Este salão saturado de suor,

onde corpos rastejam entre pesos e aparelhos,

é um circo de almas exaustas

buscando alto aprovação.

O cheiro de decomposição do ego.

um hino mórbido que embriaga meus sentidos,

Toda vez que observo a mesmas circunstâncias.

O cronômetro na parede 

marca o tique-taque do fim,

um ritual silencioso, um teatro proibido,

onde imagino o mundo limpo dos ruídos metálicos,

dos gritos abafados,

do culto incessante ao reflexo.

Vocês berram como cabos enferrujados,

e a minha mente os dissolve em silêncio.

Há gasolina nos meus pensamentos 

não para queimar pele,

mas para incendiar a ilusão do glamour,

para reduzir a cinzas essas máscaras coletivas

que todos fingem vestir com naturalidade.

O esqueiro dança entre os dedos da imaginação,

não para destruir,

mas para iluminar o que há por traz dos corpos,

medo, vaidade, insegurança, imperfeição.

Nesse salão, imagino o fogo se espalhar

vejo máscaras derreterem,

vejo corpos evaporar,

revelando o que realmente são.

Um sonho mórbido ou talvez, um fetiche da mente

que tenta sobreviver ao espetáculo diário

da perfeição fabricada.

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