O reflexo no espelho
não fala mais minha língua.
Vejo um vulto,
mudo, tremendo —
pedindo socorro com os olhos
que ninguém quer ver.
Está só.
Na cova rasa da existência,
esperando o esquecimento
como quem espera alívio.
O odor não é de morte,
mas de ausência.
Não há cadáver,
há alma
vazando aos poucos
de um corpo que já não habita.
Liberta-se,
não com gestos —
mas com o silêncio
que consome por dentro.
A dor tem nome,
mas ninguém o pronuncia.
E o mundo segue,
indiferente.
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