sexta-feira, 6 de junho de 2025

Amargor

O nó retorna,

lento, faminto,

como neblina que engole o corpo por dentro.

Há escombros onde antes havia voz.

Caminho entre ruínas,

fingindo que há chão sob os pés.

O que resta são ecos.

Sombras de uma força inventada.

Mentiras que aprendi a chamar de esperança.

O fim não grita.

Ele sussurra.

E sussurra sempre.

A porta entreaberta espera.

Não há pressa.

Só vento —

e o vento sabe desfazer o que toca.

Eu sou o que sobra

depois que tudo já foi.


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