Há dores que não gritam — apenas silenciam.
A traição é uma delas.
Chega mansa,
como quem sabe o caminho do peito,
e ali planta o frio.
Mas escuta:
nem toda ruptura é perda.
Às vezes é o destino abrindo a porta
para que escapes
de quem nunca te soube merecer.
Faz a tua parte.
Oferece o que tens de melhor —
não como moeda de troca,
mas como testemunho
de que ainda sabes amar
sem corromper o que há de puro em ti.
Confia, mesmo quando o mundo zomba.
Amar é risco —
e o risco é o preço do amor.
Se te traírem,
não devolvas o golpe.
Não te tornes o espelho
do que te feriu.
Perdoa — não por bondade,
mas por amor à tua própria paz.
Segue.
Respeita-te.
A dignidade é como linha e agulha:
costura o que o orgulho rasgou,
refaz o tecido da alma
e te veste novamente de inteireza.
Quem divide o corpo com outro
enquanto promete amor a ti,
já se perdeu —
e, ao perder-se, também te perdeu.
E não há mais o que buscar
onde já não existe espelho
para a verdade.
Não te vingues.
A vingança mata primeiro
quem a carrega no peito.
Sê leve.
Sê paz.
E lembra:
quem te traiu
perdeu um amor —
mas tu...
tu te ganhaste de volta.
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