sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Natal



A família não se vê,
não se sente,
não existe.
São apenas vozes distantes
que o tempo apagou.

Abraços vazios,
carne fria.
Não há calor,
nem fome,
só o hábito de mastigar o nada.

As luzes piscam.
Sinalizam o quê?
Nada.
A escuridão permanece.

Quem ama aqui?
Ninguém.
Nem os olhares se encontram.

Amigos secretos,
tão secretos
que já se esqueceram.
Não há amizade,
só conveniência.

Compaixão?
Não sobra.
Foi enterrada com as memórias
que ninguém quis guardar.

A árvore está morta.
Sem folhas,
sem cor,
sem vida.
Como tudo ao redor.

Amor... tem?
Não.
Só restos,
esquecidos em copos
e garrafas vazias.

É meia-noite.
O silêncio corta o ar.
O tempo segue,
indiferente ao nosso cansaço.

Feliz Natal?
É só mais uma frase,
vazia,
como nós.



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