sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Chuva

Não há o que fazer
quando as luzes se apagam,
e as vozes cessam no vácuo.

Não há ninguém,
não há sonhos,
não há nada.

A vida —
não passa de um acaso
que tropeça no escuro.

A batalha, antes desejada,
hoje jaz esquecida.

A chuva que corre
não alivia:
machuca, fere, sangra.

Pensei mil vezes,
mas nunca cheguei
a lugar algum.

Não existe compreensão.
Tudo em mim é ruído —
complexo demais,
estranho demais.

Mas, ainda assim,
me julgam sem ver
o que habita em mim.

Não posso crer
que o vazio me basta,
mas, infelizmente,
é o que me resta.

Não desejo mais estar aqui,
mas a saída de emergência
está apagada.

Está tudo escuro.
Talvez esse seja
o meu fim.

Enfim, acabou —
como o silêncio,
como o pôr do sol:

esfriou, partiu,
deixou de existir.

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