Não há o que fazer
quando as luzes se apagam,
e as vozes cessam no vácuo.
Não há ninguém,
não há sonhos,
não há nada.
A vida —
não passa de um acaso
que tropeça no escuro.
A batalha, antes desejada,
hoje jaz esquecida.
A chuva que corre
não alivia:
machuca, fere, sangra.
Pensei mil vezes,
mas nunca cheguei
a lugar algum.
Não existe compreensão.
Tudo em mim é ruído —
complexo demais,
estranho demais.
Mas, ainda assim,
me julgam sem ver
o que habita em mim.
Não posso crer
que o vazio me basta,
mas, infelizmente,
é o que me resta.
Não desejo mais estar aqui,
mas a saída de emergência
está apagada.
Está tudo escuro.
Talvez esse seja
o meu fim.
Enfim, acabou —
como o silêncio,
como o pôr do sol:
esfriou, partiu,
deixou de existir.
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